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Mais de 500 mil alunos serão mobilizados para esclarecimentos de prevenção e intervenção sobre o jogo

Felipe Vitorino Meurer 06Nesta quinta-feira, 20, a Secretaria de Estado de Educação (SED) enviou um documento orientativo às 1.080 escolas da rede sugerindo ações preventivas e interventivas aos casos do Desafio Baleia Azul, jogo que estimula a baixa estima dos jovens por meio de desafios ameaçadores colocando em risco a própria vida. Por meio da política do Núcleo de Educação, Prevenção, Atenção e Atendimento as Violências na Escola (Nepre) educadores irão promover encontros para esclarecimentos, palestras e debates com os estudantes e a família na escola.

A gerente de Políticas e Programas da Educação Básica e Profissional da SED, Julia Siqueira da Rocha, ressalta que a mediação dos professores com os estudantes é fundamental no trabalho de pesquisa sobre o assunto. “O objetivo dessa pesquisa deve ser a possibilidade de escuta dos estudantes e oferta de conhecimentos para que eles possam tomar decisões seguras. Entendendo que as redes sociais podem ser espaços também para manipulação de crianças e adolescentes”, enfatiza. Siqueira ainda destaca a importância dos educadores e familiares de demonstrar segurança e fazer o acolhimento do jovem que acabou entrando no jogo.

Outra ação sugerida é abrir o debate com os familiares para que compreendam os processos da infância e adolescência possibilitando novas posturas de relação entre família e aluno. Segundo a gerente para abordar o assunto com crianças dos anos iniciais é necessário ter uma linguagem direta e cuidadosa. “É importante que seja bem esclarecido tratar-se de um jogo em que as pessoas são desafiadas a correrem riscos que para sua segurança não devem jogar nada sem acompanhamento de adultos responsáveis”, reitera.

Sobre o NEPRE

A SED orienta que todas as 1.080 escolas estaduais tenham o NEPRE para que possa contribuir qualitativamente em relações mais solidárias, incentivando o diálogo por meio da educação, prevenção e alerta de casos que envolvam os alunos.

A política norteadora do Núcleo busca enfrentar as diferentes violências, decorrente do uso e abuso de drogas lícitas e ilícitas, preconceito, racismo, discriminação, homofobia, bullying, cyberbullying, entre outras questões nos diferentes contextos sociais e educacionais.

A Secretaria de Estado da Saúde emitiu nota de alerta aos serviços de saúde para que se mantenha elevado nível de suspeição diante de casos de lesões, envenenamento ou intoxicação que possam se caracterizar como violência autoprovocada. O documento, produzido em conjunto pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica e pela Gerência de Atenção Básica, recomenda que os profissionais de saúde abordem as pessoas e seus acompanhantes a respeito das causas do agravo com o objetivo de confirmar ou descartar a suspeita. Em caso de confirmação, a pessoa deve ser acompanhada pelas equipes da Estratégia de Saúde da Família para acolhimento e, se necessário, ela será encaminhada ao serviço especializado em saúde mental (Centros de Atenção Psicossocial).  “O suicídio entre jovens é algo que sempre preocupou os serviços de saúde, mas que agora está se tornando mais evidente por conta das redes sociais. A atuação dos grupos de prevenção e de saúde mental é fundamental, assim como das escolas”, enfatiza Eduardo Macário, diretor da Dive/SC. Ressalta-se que todos os casos de violência autoprovocada e de tentativa de suicídio são de notificação compulsória imediata, conforme Portaria 204/2016 do Ministério da Saúde.

“A porta de entrada para o acolhimento é sempre as unidades básicas de saúde”, informa a psicóloga Rose Brasil, coordenadora do programa de Saúde Mental de Santa Catarina. Os serviços públicos de saúde mental de Santa Catarina contam com 99 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) em diversos municípios e diferentes modalidades, e mais 23 estão em fase de implantação. “Nessas estruturas são atendidas pessoas que vêm em demanda espontânea, incluindo as que têm depressão grave, pensamento suicida e tentativa de suicídio”, explica Rose.

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